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Medicamentos e globalização

A figura do medicamento genérico assume cada vez maior importância, o número de moléculas aumenta, da mesma forma que aumenta também o consumo destas moléculascuja propriedade passou para o domínio público.

Esta realidade surge a par com um fenómeno que tem vindo a transformar muito mais que o sector farmacêutico: a globalização.

A um nível global verifica-se a mesma progressão do medicamento genérico e as consequências têm-se feito sentir um pouco por todo o percurso dos medicamentos, um pouco por todo o mundo. A investigação de novas moléculas está cada vez mais sob a responsabilidade de pequenas empresas ou projectos académicos, as grandes empresas surgem apenas na fase dos ensaios clínicos diminuindo a taxa de insucesso dos seus investimentos em investigação de novas moléculas e os custos inerentes à I&D. O próprio objecto de investigação farmacêutica está a mudar, a biotecnologia ganha progressivamente terreno à química e os biofármacos representam uma importante e crescente fatia dos novos medicamentos, aliás, o termo biosimilar começa a surgir para definir o biofármaco genérico. Daqui resulta um fenómeno cada vez mais comum e que se alastra a outras componentes da economia do medicamento: as fusões e aquisições.

As marcas são cada vez mais compostas, reflectindo muitas vezes uma espécie de genealogia da empresa em questão. Aumentam as oportunidades, os problemas e as soluções, cenário típico de um processo de transformação. A procura é maior, o envelhecimento da população e a globalização do mercado dão os maiores contributos a este aumento, mas a oferta cresceu desproporcionalmente e assim, as estratégias baseiam-se na oferta e nas suas concorrências. Para este fenómeno contribuíram a queda dos monopólios temporários atribuídos pelas patentes e a consequente proliferação das empresas de medicamentos genéricos. Esta nova realidade impõe uma adaptação de todos os actores implicados, nomeadamente dos que têm um papel transversal, regulador e fiscalizador.

Os genéricos já não são o parente pobre dos medicamentos e embora contribuam para um melhor acesso dos doentes pobres aos medicamentos, também suscitam receios e anseios que a falta de informação e desinformação ajudam a manter e a esclarecer mal muitas vezes.

Não se pode continuar a tratar o assunto como o “bom e o vilão” mas antes como “farinha do mesmo saco”.

Fevereiro 18, 2008 Publicado por ptcp | Pharmaceutical | , , | Sem comentários ainda