A Inovação e as Interacções na Google
Na edição de Abril da Harvard Business Review foi publicado um artigo com o titulo “Google’s Innovation Machine” de Bala Iver e Thomas H. Davenport . A pesquisa da maior parte da informação para a elaboração do artigo foi feita através do próprio motor de busca Google e permitiu aos autores identificar algumas das características para o sucesso da inovação da Google.
A Google é proprietária de uma tecnologia fruto de um investimento de biliões de dólares e a sua plataforma operacional baseada na Internet permite-lhe oferecer um número crescente de serviços. A sua tecnologia está em constante evolução é, aliás, “construída para construir”, o que lhe atribui uma capacidade dinâmica integrada numa estratégia emergente nunca antes observada.
O longo prazo na estratégia da Google é levado “à letra”: se considerarmos o objectivo de “organizar toda a informação do mundo e torná-la acessível e útil universalmente”, o longo prazo parece ainda curto. O tempo estimado pelo CEO, Eric Schmidt, para atingir o objectivo, é de 300 anos. Um futuro tão longínquo é impossível prospectivar, a elaboração de cenários fica apenas no domínio da imaginação e por isso é necessário preparar a empresa para crescer e se adaptar às mudanças que os próximos 300 anos vão trazer.
Esta estratégia assenta, segundo os autores, na capacidade de “construir para construir” tanto em infraestrutura como em cultura, dois pilares da filosofia Google, Tecnologia e Cultura. Mas a ambição da Google não se fica pela criação de condições para a adaptação à mudança, assume o papel de criador da mudança, ou, como diria o Professor João Caraça, tenta “criar a onda onde os outros vão surfar“. A criatividade é largamente incentivada, com recurso a uma gestão do tempo orientada para a criatividade e os atritos são reduzidos ao máximo, de forma a potenciar a concretização do processo criativo. Para manter esta liderança, por tanto tempo e em tão larga escala, não basta ter um dos mais rápidos ciclos de desenvolvimento de produtos, é necessário envolver toda a comunidade de inovadores na Internet no desenvolvimento do seu universo através do suporte ao desenvolvimento dos seus produtos por terceiros e de mashups, como uma espécie de crowdsourcing. Todos os seus serviços e produtos são desenvolvidos com esta preocupação mas sem nunca esquecer a importância de manter o controlo sobre todo o ecossistema de inovação e utilizar a informação que organiza para sustentar as decisões.
Fonte: Harvard Business Review, Abril de 2008
Avaliador de comunicados de imprensa
O software representa um conjunto de regras, de automatismos de informação que permitem desempenhar uma função. Utilizando os critérios e parâmetros certos pode-se informatizar tudo, ou quase tudo. Recentemente deparei-me com um avaliador de comunicados de imprensa disponível na Internet que atribui uma classificação e discrimina algumas características do comunicado submetido. Não sei bem que critérios e parâmetros este avaliador utiliza mas parece-me um pouco ousado pensar numa automatização da avaliação de uma mensagem funcional com conteúdos de significados, ideias e intenções. Será que uma avaliação pode prescindir da intervenção humana e da sua subjectividade? Pode ser que um dia assim seja mas por enquanto acredito que este este avaliador de comunicados de imprensa pode ser bastante útil na elaboração de um comunicado de imprensa, como uma ferramenta ao dispor do comunicador, mas não como um fim em si mesmo. De qualquer forma, se a sua utilização se generalizar começaremos a ver comunicados de imprensa cada vez mais parecidos dado que os critérios e parâmetros utilizados para elaborar um “bom” comunicado de imprensa (que obtenha pelo menos 80/100) serão iguais para todos. Nessa situação só nos resta esperar alguma criatividade e rebeldia humana que se digne a chumbar no avaliador e permitir a evolução dos comunicados de imprensa. O que me leva a pensar que uma avaliação é uma espécie de conformidade com as regras do passado e que a evolução poderá (ou poderia) estar nos muitos chumbos que foram ficando para trás…
Roteiro para a Ciência
A Presidência da República efectua hoje 4ª Jornada do Roteiro para a Ciência, depois das Biociências e Biotecnologia,Tecnologias Limpas e das Ciências e Tecnologias do Mar, chegou a vez das TICs. A chamada de atenção do Presidente da República para a importância do desenvolvimento do Sistema Nacional de Inovação como principal motor de desenvolvimento do país é bastante útil para alertar o caminho que as PMEs devem seguir mas é bom não esquecer que a Indústria também faz parte deste sistema e da sua interacção com os restantes componentes do sistema devem resultar sinergias essenciais ao desenvolvimento sustentado do país. As PMEs são grandes fontes de inovação mas o risco inerente ao seu investimento não pode continuar a ser sustentado por quem menos tem para investir, esperemos que este Roteiro para a Ciência tenha começado na passada sexta feira quando o Presidente da República recebeu os presidentes da Confederação Industrial Portuguesa (CIP) e Associação Industrial Portuguesa (AIP).
Presidente retoma hoje Roteiro para a Ciência in Público, 19.05.2008
BlackBerry, de líder a seguidor?
A introdução do iPhone no mercado, em meados de 2007, despoletou uma série de questões no seio do desenvolvimento da R.I.M., Research In Motion, empresa do BlackBerry. No final de 2006, a R.I.M. tinha 45% de quota de mercado passando para 40% ainda em 2007 mantendo-se a um ritmo descendente. Isto deve-se à quota de 17,4% ganha pelo iPhone nos primeiros seis meses de presença no mercado. Os consumidores típicos dos smartphones eram profissionais obcecados com a possibilidade de terem acesso à sua mailbox no telemóvel, mas com a introdução do iPhone (já depois da introdução de outros smartphones com base no Windows Mobile, Palm, Motorola e HTC) as exigências dos consumidores de smartphones vão para além da ligação omnipresente à sua caixa de email, incidindo no acesso à Web, vídeo e musica digital, aproximando o smartphone de um conceito de entretenimento e não apenas de uso profissional. Neste contexto, uma das questões que surge é se uma empresa que definiu o acesso móvel ao email com o polegar será capaz de dominar o novo mercado de consumo de smartphones?
Para além das diferenças na utilização central do smartphone, email no BlackBerry e Web no iPhone, há outra componente que distingue os dois aparelhos, o teclado. O BlackBerry utiliza um teclado físico e parece não prescindir dele enquanto o iPhone utiliza um teclado touch-screen. Qual das duas soluções vão os consumidores preferir? As duas principais características distintivas destes produtos não são independentes, o teclado físico estará mais adaptado às necessidades do email, o touch-screen à Web.
Alguns boatos revelam que a R.I.M. tem na forja dois novos aparelhos, o Meteor, mais parecido com o interface Web, melhor processador e uma estética que se aproxima das linhas iPhone e o denominado internamente na R.I.M. por A.K., Apple Killer, já com touch-screen, indo ao encontro dos consumidores sem as necessidades específicas de email dos principais utilizadores do BlackBerry. Irá a R.I.M. reposicionar a sua tecnologia aproximando-se da tecnologia Apple? Conseguirá a R.I.M reinventar-se a si própria? Segundo o Sr. Lazaridis, um dos directores executivos da R.I.M., a empresa não tem receio da mudança pois tem feito muita investigação em novas tecnologias e interfaces para utilizadores.
Fonte: New York Times
O paradigma do farmacêutico (1)
As farmácias têm agora novos actores na sua actividade, diferentes profissionais têm agora as portas abertas para exercerem funções nas farmácias. Um farmacêutico trabalha e presta contas a um profissional não farmacêutico, um gestor das decisões e estratégias das farmácias. A gestão de farmácia assume-se como uma nova disciplina, tanto na área da gestão como na área das ciências farmacêuticas. Existem poucas áreas da ciência a exigirem tanta necessidade de integração de diferentes disciplinas como a das ciências farmacêuticas. As ciências naturais têm actuado em paralelo com as ciências sociais, as suas actividades apenas se observam através de instrumentos do âmbito de cada uma das janelas disciplinares, mesmo ferramentas semelhantes são utilizadas de forma diferente nas diferentes áreas, natural e social, as estatísticas revelam realidades diferentes dependendo da perspectiva donde se olha. Por exemplo, as ciências sociais filtram os aspectos socio-económicos da actividade farmacêutica, enquanto as ciências naturais estão mais sensibilizados para as questões quimico-biológicas dessa actividade. Na verdade, no que diz respeito à actividade farmacêutica, as diferentes áreas da ciência há algum tempo que se misturam e trabalham num mesmo sentido. Esta realidade alastra agora às farmácias onde a entrada de gestores profissionais fazem surgir esta nova disciplina, a da gestão farmacêutica. Aparentemente trata-se de uma subdisciplina da gestão, remetendo para as escolas da especialidade a formação dos profissionais mais adequados a assumir a liderança de uma farmácia. Mas penso que aqui, as oportunidades se direccionam mais para os farmacêuticos que para os gestores, a especialidade de gestão para os farmacêuticos faria mais sentido que a de farmacêutico para os gestores, o desenvolvimento de competências em “T” é já comum noutras classes como a dos engenheiros que motivaram o aparecimento do MBA (Master of Business Administration) para dar resposta a esta necessidade.
O sector farmacêutico tem participado activamente na evolução da sociedade mantendo-se desde há mais de 50 anos como um dos sectores mais avançados da economia. Entre as melhores empresas para se trabalhar encontram-se todos os anos empresas farmacêuticas, também as farmácias evoluíram e assumem-se como o melhor que os serviços de saúde em Portugal têm para oferecer, nenhum outro sector tem mostrado tanta qualidade ao longo do tempo.










