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O paradigma do farmacêutico (1)

As farmácias têm agora novos actores na sua actividade, diferentes profissionais têm agora as portas abertas para exercerem funções nas farmácias. Um farmacêutico trabalha e presta contas a um profissional não farmacêutico, um gestor das decisões e estratégias das farmácias. A gestão de farmácia assume-se como uma nova disciplina, tanto na área da gestão como na área das ciências farmacêuticas. Existem poucas áreas da ciência a exigirem tanta necessidade de integração de diferentes disciplinas como a das ciências farmacêuticas. As ciências naturais têm actuado em paralelo com as ciências sociais, as suas actividades apenas se observam através de instrumentos do âmbito de cada uma das janelas disciplinares, mesmo ferramentas semelhantes são utilizadas de forma diferente nas diferentes áreas, natural e social, as estatísticas revelam realidades diferentes dependendo da perspectiva donde se olha. Por exemplo, as ciências sociais filtram os aspectos socio-económicos da actividade farmacêutica, enquanto as ciências naturais estão mais sensibilizados para as questões quimico-biológicas dessa actividade. Na verdade, no que diz respeito à actividade farmacêutica, as diferentes áreas da ciência há algum tempo que se misturam e trabalham num mesmo sentido. Esta realidade alastra agora às farmácias onde a entrada de gestores profissionais fazem surgir esta nova disciplina, a da gestão farmacêutica. Aparentemente trata-se de uma subdisciplina da gestão, remetendo para as escolas da especialidade a formação dos profissionais mais adequados a assumir a liderança de uma farmácia. Mas penso que aqui, as oportunidades se direccionam mais para os farmacêuticos que para os gestores, a especialidade de gestão para os farmacêuticos faria mais sentido que a de farmacêutico para os gestores, o desenvolvimento de competências em “T” é já comum noutras classes como a dos engenheiros que motivaram o aparecimento do MBA (Master of Business Administration) para dar resposta a esta necessidade.

O sector farmacêutico tem participado activamente na evolução da sociedade mantendo-se desde há mais de 50 anos como um dos sectores mais avançados da economia. Entre as melhores empresas para se trabalhar encontram-se todos os anos empresas farmacêuticas, também as farmácias evoluíram e assumem-se como o melhor que os serviços de saúde em Portugal têm para oferecer, nenhum outro sector tem mostrado tanta qualidade ao longo do tempo.

Abril 6, 2008 Publicado por ptcp | Pharmaceutical | , | Sem comentários ainda

Medicamentos e globalização

A figura do medicamento genérico assume cada vez maior importância, o número de moléculas aumenta, da mesma forma que aumenta também o consumo destas moléculascuja propriedade passou para o domínio público.

Esta realidade surge a par com um fenómeno que tem vindo a transformar muito mais que o sector farmacêutico: a globalização.

A um nível global verifica-se a mesma progressão do medicamento genérico e as consequências têm-se feito sentir um pouco por todo o percurso dos medicamentos, um pouco por todo o mundo. A investigação de novas moléculas está cada vez mais sob a responsabilidade de pequenas empresas ou projectos académicos, as grandes empresas surgem apenas na fase dos ensaios clínicos diminuindo a taxa de insucesso dos seus investimentos em investigação de novas moléculas e os custos inerentes à I&D. O próprio objecto de investigação farmacêutica está a mudar, a biotecnologia ganha progressivamente terreno à química e os biofármacos representam uma importante e crescente fatia dos novos medicamentos, aliás, o termo biosimilar começa a surgir para definir o biofármaco genérico. Daqui resulta um fenómeno cada vez mais comum e que se alastra a outras componentes da economia do medicamento: as fusões e aquisições.

As marcas são cada vez mais compostas, reflectindo muitas vezes uma espécie de genealogia da empresa em questão. Aumentam as oportunidades, os problemas e as soluções, cenário típico de um processo de transformação. A procura é maior, o envelhecimento da população e a globalização do mercado dão os maiores contributos a este aumento, mas a oferta cresceu desproporcionalmente e assim, as estratégias baseiam-se na oferta e nas suas concorrências. Para este fenómeno contribuíram a queda dos monopólios temporários atribuídos pelas patentes e a consequente proliferação das empresas de medicamentos genéricos. Esta nova realidade impõe uma adaptação de todos os actores implicados, nomeadamente dos que têm um papel transversal, regulador e fiscalizador.

Os genéricos já não são o parente pobre dos medicamentos e embora contribuam para um melhor acesso dos doentes pobres aos medicamentos, também suscitam receios e anseios que a falta de informação e desinformação ajudam a manter e a esclarecer mal muitas vezes.

Não se pode continuar a tratar o assunto como o “bom e o vilão” mas antes como “farinha do mesmo saco”.

Fevereiro 18, 2008 Publicado por ptcp | Pharmaceutical | , , | Sem comentários ainda

Desperdícios em Saúde?

As mais recentes medidas anunciadas pelo Ministério da Saúde referentes aos medicamentos não tiveram grande impacto.É certo que se fala em debates de promessas e suposições mas as repetidas acções deste ministério enquadradas em reformas disto e daquilo, correcções aqui e ali, revelam insatisfação do Ministério com a sua actividade. Aí está um ponto em que estamos de acordo.

Outro ponto em que parece não haver grande discordância é na questão dos desperdícios, os mesmos que motivam as reformas disto e daquilo, aqui e ali. Também a sociedade mostra estar farta dos desperdícios, ambientais, culturais, financeiros, na educação, na saúde e dos medicamentos. Mas mais importante é o Ministro da Saúde estar farto do desperdício do seu Ministério nos medicamentos.Para um Estado que nos serve, achar que os serviços de saúde prestados pelo Ministério da Saúde são um desperdício, deixa muito a desejar. Numa situação normal eu seguramente mudaria de fornecedor, mas é o nosso Estado, o nosso querido Estado, que nos liga a todos debaixo de um só contrato, efectuado à nascença com o consentimento dos nossos pais claro, semelhante entre ricos e pobres, homens e mulheres, … , apenas por vivermos cá. Esse mesmo Estado querido que anda sempre a mudar de mãos. Ora agradeço o desconto nos medicamentos a Mário Soares, ora a Cavaco Silva, ora já é Guterres que me ajuda a cuidar da saúde, por ora é Sócrates a proporcionar-me o acesso a medicamentos para cuidar da minha saúde. Por isso não vou mudar de fornecedor, vou manter a mensalidade acordada (?) e continuar a esperar que decidam fazer um melhor acordo. Que hipótese tenho mais?

Começa a ser preciso um catálogo das alterações no serviço relacionado com os medicamentos, que têm sido muitas nos últimos tempos. O sector está descontente no processo e a população com o serviço. A mais recente consequência do desperdício do Ministério da Saúde parece ser a possibilidade de comprar medicamentos em unidose ainda este ano.Vamos ver como se adaptarão o sector e a população. Ao voltar para casa quem não vai precisar de ter o paracetamol na gaveta para a dor de cabeça provocada pelas dificuldades que por cá vamos sentindo?

A saga continua e também o medicamento nos vai continuar a acompanhar durante as próximas décadas, ou mais ainda.

Janeiro 26, 2008 Publicado por ptcp | Pharmaceutical | , , | Sem comentários ainda